
Migrações bárbaras em território romano entre os séculos IV e V
O
Império Romano atingiu o seu apogeu e máxima extensão territorial durante o
século II, mas durante os dois séculos seguintes verificar-se-ia o lento declínio do domínio territorial romano sobre os seus territórios. A crise econômica, refletida na inflação, e instabilidade nas fronteiras motivada pela pressão de povos invasores, estiveram na origem da
crise do terceiro século, períodos em que um vasto número de imperadores ascendia ao trono apenas para ser rapidamente substituído por novos usurpadores.O orçamento militar aumentou constantemente ao longo de todo o terceiro século, sobretudo na sequência de
uma nova guerra contra o
Império Sassânida, iniciada em meados do século. A necessidade de receitas levou à aplicação de uma sobretaxa fiscal e ao declínio em massa da classe média, proprietária de terrenos e unidades de produção, extinguindo-se assim o financiamento das estruturas administrativas de cada povoação.
No ano de 286, o imperador
Diocleciano divide o império em duas metades,
oriental e
ocidental, administradas separadamente. No entanto, os próprios cidadãos e administradores públicos não viam o seu império como dividido, e as promulgações legais e administrativas de uma parte eram consideradas válidas na outra. Este sistema, que viria a ter dois co-imperadores seniores (
augustos) e dois co-imperadores juniores (
césares), viria a ser conhecido como
tetrarquia.Em 330, depois de um período de guerra civil, o imperador
Constantino refunda a cidade de
Bizâncio como
Constantinopla, a nova e renovada capital oriental.As reformas de Diocleciano criaram uma administração pública forte, a reforma da cobrança de impostos, e o fortalecimento do exército, o que permitiu ganhar algum tempo mas não resolveu por completo os problemas que enfrentava: tributação excessiva, queda da taxa de natalidade e pressão fronteiriça.Em meados do
século IV, tornou-se constante a deflagração de guerras civis entre imperadores rivais, retirando forças das fronteiras e dando espaço à infiltração de
bárbaros.No
século IV, a sociedade romana era já bastante diferente da do período clássico, assistindo-se ao aumento das desigualdades sociais e ao declínio de vitalidade das cidades pequenas.O império converte-se também ao
cristianismo, um processo gradual que decorreu entre os séculos II e V.
Em 376, os
Ostrogodos, em debanda dos
Hunos, são autorizados pelo imperador romano
Valente a estabelecer-se na
província romana de
Trácia, nos
Balcãs. O processo não decorreu de forma pacífica, e quando os administradores romanos perderam o controlo da situação, os Ostrogodos deram início a uma série de pilhagens e vandalismos no território. Valente, numa tentativa de fazer cessar a violência, foi morto em combate na
batalha de Adrianópolis em Agosto de 378.Para além da ameaça bárbara do norte, constituíram também ameaças à estabilidade as divisões internas dentro do próprio império, sobretudo dentro da Igreja Cristã.No ano 400, os
Visigodos invadem o Império do Ocidente e, embora inicialmente repelidos de Itália, em 410
invadem a cidade de Roma.A par destes eventos, em 406 e nos três anos seguintes, os
Alanos,
Vândalos e
Suevos tomam conta do território da
Gália, e em 409 atravessam os
Pirenéus, instalando-se também na
península Ibérica.Vários outros grupos bárbaros tomam igualmente parte nas intensas migrações deste período. Os
Francos,
Alamanos e
Burgúndios têm como destino o norte da Gália enquanto que os
Anglos,
Saxões e
Jutos se estabelecem nas
Ilhas Britânicas. Os Hunos, liderados pelo rei
Átila, o Huno, organizam invasões aos
Balcãs em 442 e 447, à Gália em 451, e a Itália em 452. A ameaça dos Hunos prolongou-se até à morte de Átila em 453, quando a confederação por si liderada se fragmenta.Estes movimentos levados a cabo pelas várias tribos reorganizaram de forma dramática o mapa político e demográfico do que tinha sido o Império Romano do Ocidente.

Império Bizantino com as conquistas de
Justiniano (laranja claro)
Por volta do fim do
século V, a parte ocidental do império estava já dividida em pequenas unidades políticas, governadas pelas tribos que as haviam ocupado durante o início do século.O último imperador do Ocidente,
Rómulo Augusto, foi deposto em 476, evento que leva à adoção consensual desse ano como o fim do Império Romano do Ocidente. O
Império Romano do Oriente, referido como
Império Bizantino depois da queda do seu correspondente ocidental, mostrou pouca eficácia no controlo dos territórios ocidentais perdidos. Embora os
imperadores bizantinos tenham mantido pretensões territoriais e afirmado que nenhum rei bárbaro podia ousar tornar-se imperador do Ocidente, não conseguiam de forma alguma sustentar qualquer domínio a Ocidente, excetuando-se a reconquista temporária da
península Itálica e da periferia mediterrânea por
Justiniano I